Promotores da Corane são “voz ativa” na definição da Estratégia para 2014-2020


Auscultar as experiências, sucessos, dificuldades, necessidades e anseios para o futuro, de forma a desenhar uma Estratégia de Desenvolvimento Local para o período de 2014 a 2020, verdadeiramente participada e adaptada ao território, foi o objectivo das primeiras jornadas de trabalho promovidas pela Corane- Associação de Desenvolvimento dos Concelhos da Raia Nordestina, que nesta sexta-feira, dia 6 de Junho, se realizaram em Bragança.

Os promotores dos diferentes sectores de actividade responderam à chamada e, em grupos de trabalho temáticos, deixaram o seu contributo para a definição de um documento de ação integrado.

“É desta forma, ouvindo quem está no terreno, quem produz, quem presta serviços, quem cria emprego, quem trabalha diariamente pela afirmação do seu projecto e do seu território, que podemos construir uma estratégia realista, eficaz e que responda às necessidades de desenvolvimento da nossa região”, referiu o presidente da Corane, Artur Nunes.

Ficaram muitas ideias concretas destacando-se palavras fortes que são necessidades reais, como: internacionalização, cooperação, parcerias, inovação, promoção.

Não são meros chavões mas sim anseios legítimos.

No sector agroalimentar e nas microempresas é comum a vontade de conquistar novos mercados, nacionais mas também internacionais, a começar pela vizinha Espanha. Os promotores querem orientar as políticas para o futuro próximo com ações concretas de internacionalização.

Cooperação e parcerias, trabalho em rede, são conceitos que os promotores já perceberam que devem ser postos em prática. E estes conceitos são defendidos em setores como Turismo mas também na área social. Fortunato Preto, responsável por um Lar de idosos do concelho de Miranda do Douro, apontou como exemplo a necessidade de existirem recursos qualificados, para garantir respostas adequadas aos utentes, e as dificuldades de suportar os custos desses recursos: “Se precisarmos contratar uma enfermeira, um técnico de animação, ou outro técnico especializado não conseguimos suportar os custos, se trabalharmos em parceria, de forma a que um mesmo técnico possa dar resposta a vários Lares, se calhar conseguimos”, apontou.

Maurício Vaz falou da necessidade de capacitar as microempresas, de canalizar os apoios para a criação de emprego. “Em vez de termos tantos apoios ao desemprego devíamos ter políticas de incentivo à criação de emprego, são as microempresas que dão essa resposta, mas vivem asfixiadas sem possibilidade de crescerem, quase sempre porque falta de mecanismo de apoio”, disse.

Telmo Cadavez, promotor na área do Turismo, falou da diferenciação que se pode conseguir a nível cultural. “Vamos guardar os manuais e ser pragmáticos, vamos criar produtos diferenciadores, recuperar as nossas tradições, as práticas agrícolas, e oferecer esse produto no nosso território, apostar na diferenciação”, sustentou.

Em todas as áreas se falou da importância da inovação. A região só pode ganhar competitividade se acompanhar as novas tecnologias, as novas soluções inteligentes. Inovação é sinónimo de atratividade, de competitividade.

Foi um primeiro dia de trabalho muito produtivo que deixou os promotores entusiasmados e com vontade de continuar a colaborar ativamente na definição da estratégia de desenvolvimento local.

A Corane está a trabalhar em parceria com a Desteque – Associação de Desenvolvimento da Terra Quente. Estas jornadas de trabalho representam uma primeira abordagem mas outras estão programadas, onde se pretende também ouvir os agrupamentos de produtores e outras entidades coletivas, fundamentais para as políticas de desenvolvimento do território.