A primeira região inteligente de partilha do mundo pode ser o Nordeste de Portugal


O Nordeste de Portugal pode ser “a primeira região inteligente de partilha do mundo”. O desafio foi lançado pelo estratega urbano Boyd Cohen, um dos oradores principais do Smart Travel 14, que se realizou em Trás-os-Montes de 4 a 7 de dezembro.

Nos últimos anos Boyd Cohen tem fixado residência em diversas cidades por todo o mundo, estuda os territórios vivendo-os em todos os sentidos, o que lhe confere uma visão global muito ajustada à realidade. O estratega não conhece em profundidade o Nordeste Transmontano mas, após estudar as principais características e problemas identificados e do conhecimento geral, considerou que seria uma boa estratégia e um bom ponto de partida a diferenciação pela atitude e comportamento do território e pela participação ativa dos seus cidadãos nas soluções propostas. “Fazer mais com menos recursos, traçar um caminho sustentável, permitir o acesso a serviços e produtos a pessoas economicamente mais vulneráveis, criar uma marca única para um tipo de turista único, que procura novas experiências, são o espelho do valor da partilha” defendeu.

“Penso que podia ser uma estratégia interessante que não só impulsiona a tecnologia, (…) mas também fomenta o espírito da comunidade e cria uma dinâmica interessante que vai para além do turismo”, continuou o orador especialista em desenvolvimento.

O desafio foi lançado a autarcas e outros agentes de desenvolvimento local, os decisores e os responsáveis pela implementação de estratégias de desenvolvimento. “Penso que vamos ver outras regiões a adaptar estas ideias”, no entanto “não há nenhuma região no mundo líder na partilha e penso que esta região tem esse potencial”, concluiu.

A deficiente oferta de opções de mobilidade para chegar e sair do Nordeste Transmontano foi uma das razões que levou o estratega a fazer esta sugestão, constatando que “vai ser difícil atrair grandes volumes de turistas sem a existência de uma rede férrea e de aeroportos próximos”.

O Smart Travel conseguiu reunir, durante dois dias, investigadores, empresários, estrategas e outros, que trouxeram informação e conhecimento ao território. A qualidade das intervenções praticamente “colou” os delegados ao congresso à cadeia e poucos abandonaram a sala antes da conclusão dos trabalhos.

O networking funcionou de forma extraordinária, sendo um dos resultados imediatos mais visíveis deste congresso. Instituições de ensino superior, empresários, investigadores, autarcas, trabalharam as respetivas redes de contactos, encetaram parcerias estratégicas, partilharam projetos, o que era também um dos grandes objetivos desta iniciativa.

O Smart Travel registou mais de 550 inscrições, houve necessidade de fechar os registos dois dias antes do início do evento, acabaram por assistir às conferências mais de 500 pessoas, nas experiências de promoção territorial, que se realizaram nos dias 6 e 7, estiveram envolvidas mais de 100 pessoas.