Curso de Tricô pode resultar em Associação


Foi a situação de desemprego que uniu um grupo de 16 mulheres, a maioria com formação superior, num curso promovido pela Corane- Associação de Desenvolvimento dos Concelhos da Raia Nordestina, no âmbito do Programa Operacional de Potencial Humano (POPH). Durante sensivelmente três meses, estas mulheres receberam 150 horas de formação e realizaram diversos trabalhos que foram vendidos no Museu Abade de Baçal, na altura do Natal, revertendo o lucro para campanhas de solidariedade. Os trabalhos realizados tiveram enorme aceitação por parte dos clientes e, terminada a formação, o grupo, sem outras perspetivas de emprego, decidiu continuar. “São pessoas com vontade de trabalhar, de garantir o próprio sustento e porque não através da produção de peças em tricô?”, refere Luísa Pires, coordenadora da Corane, que entretanto disponibilizou nas suas instalações uma sala para as mulheres se continuarem a encontrar e a trabalhar. “Ainda não decidiram exatamente o que vão fazer mas já pensaram em criar uma associação ou uma cooperativa, para puderem vender o que fazem”, adianta.

Esta responsável, reforçando que a missão da Corane é promover o desenvolvimento do mundo rural e que esse desenvolvimento se consegue pela promoção do emprego, já agendou uma visita à Serra da Estrela, onde vai levar o grupo, “para verem experiências que já estão no terreno e com muito sucesso, de grupos de mulheres que se juntaram e que estão a trabalhar nesta área”.

A ideia passa pela criação de peças exclusivas, com uma forte componente prática, adaptadas à moda atual. Existe também vontade de apostar na reciclagem, isto é, adaptar peças que já saíram de moda e transforma-las para poderem voltar a ser usadas. Algumas das formandas percebem de costura e todos os conhecimentos e competências podem ser rentabilizados neste projeto. Estão ainda a pensar em, elas próprias, promoveram jornadas de trabalho e pequenos cursos de formação para ensinar alguns conceitos e capacitar com algumas competências outras pessoas que possam estar interessadas.

A formadora, arquiteta de profissão, também desempregada, é uma das principais entusiastas do projeto, já confirmou o potencial do grupo e acredita que é possível trabalhar e produzir peças de grande qualidade e diferenciadoras. Criatividade não falta, vontade também não. Enquanto o plano de negócios não avançar o grupo encontra nestas reuniões e nas tarefas que desempenham “uma terapia”, para minimizar o mau estar e o desgaste psicológico de quem está em situação de desemprego.